
“Se precisar, peça ajuda!” – essa é a mensagem central do “Setembro Amarelo 2025”, “Campanha Nacional de Prevenção ao Suicídio” que reforça a importância de quebrar o silêncio e falar sobre saúde mental. Em João Neiva, a rede de atenção está pronta para acolher quem precisa: profissionais nas Unidades de Saúde estão disponíveis para escutar; o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) oferece acompanhamento especializado; e em casos de urgência, o Hospital da cidade e o SAMU (192) são portas abertas para o cuidado imediato.
Mas o apoio vai além. Pouca gente conhece, mas o Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma das principais redes de acolhimento do país. Com atendimento gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana, os voluntários do CVV estão prontos para ouvir sem julgamentos. Basta ligar para 188 ou acessar cvv.org.br. Às vezes, uma conversa pode salvar uma vida.
Por que setembro é amarelo?
A cor amarela se tornou símbolo mundial da luta pela valorização da vida em memória de Mike Emme, um jovem americano de 17 anos apaixonado por carros que, em setembro de 1994, tirou a própria vida. Ele estava em seu Ford Mustang 1968, que ele mesmo havia restaurado e pintado de amarelo. Seus amigos distribuíram fitas amarelas no velório, incentivando quem passava por dificuldades a pedir ajuda. A história ganhou o mundo, e hoje o mês é internacionalmente dedicado à prevenção do suicídio.
Embora não haja registros públicos detalhados sobre os motivos específicos que o levaram a essa decisão, relatos indicam que ele estava enfrentando dificuldades emocionais significativas. Segundo informações, Mike havia terminado um relacionamento amoroso pouco antes de sua morte, o que pode ter contribuído para seu estado emocional. Ele deixou uma carta para seus pais dizendo: “Eu gostaria de ter aprendido a odiar... não se culpem, mamãe e papai. Eu os amo”.
Um tabu que precisa ser quebrado
O preconceito ainda faz com que muitas pessoas escondam seus sentimentos por medo de julgamento. Depressão, ansiedade e outros transtornos emocionais não são frescura, nem fraqueza, nem falta de fé. São questões reais, que pedem atenção, carinho e tratamento.
Renato Nascimento, psicólogo do CAPS de João Neiva, afirma que “nosso maior desafio ainda é derrubar barreiras culturais e sociais. As pessoas precisam entender que pedir ajuda não é motivo para vergonha”. Ele também reforça que a sociedade como um todo deve abandonar o preconceito e aprender a acolher quem sofre, em vez de criticar.
Falar é acolher
Na maioria das vezes, falar sobre o que se sente traz alívio. Acolher, ouvir e apoiar alguém pode fazer toda a diferença. “O acolhimento salva vidas. Ter paciência, empatia e escuta ativa com quem está em sofrimento pode ser o primeiro passo para mudar uma história”, salienta Renato.
E para quem está lutando com pensamentos difíceis, a mensagem é clara: você não está sozinho. Existe tratamento, existe apoio e existe vida além da dor. Procurar ajuda é fundamental.
Cuidar da mente é compromisso de todos
A campanha acontece em setembro, mas o cuidado com a saúde mental deve ser um compromisso de todos os dias. É um convite para olhar para si e para o outro, quebrar estigmas e lembrar que falar sobre sentimentos é tão importante quanto cuidar do corpo.
Mesmo quem aparenta ter ‘tudo em ordem’ na vida pode estar lutando contra batalhas invisíveis — até mesmo quem parece estar bem. “Por isso, cuidar da saúde mental é um compromisso diário. Atividades simples, como praticar exercícios físicos, manter uma alimentação equilibrada, ter momentos de lazer, cultivar boas noites de sono, fortalecer vínculos sociais e buscar hobbies que tragam prazer, fazem diferença tanto na prevenção quanto no tratamento de problemas emocionais. E, acima de tudo, procurar apoio profissional sempre que necessário”, acrescenta o psicólogo.
Se você está passando por um momento difícil, peça ajuda. Se alguém próximo precisa de apoio, ouça. Juntos, podemos salvar vidas.