
A “Campanha do Laço Branco” não nasce de discursos prontos nem de datas simbólicas apenas para marcar presença. Ela parte de uma ideia simples e direta: envolver os homens na responsabilidade de enfrentar a violência contra a mulher — não como espectadores, mas como parte ativa da mudança.
Criada em 1991, no Canadá, após um ataque violento contra mulheres em uma universidade, a campanha surgiu quando um grupo de homens decidiu se posicionar publicamente e dizer, de forma clara, que não compactuava com nenhum tipo de violência. O laço branco passou a representar esse compromisso e, com o tempo, o movimento se espalhou pelo mundo, tornando-se uma mobilização internacional.
Em João Neiva, a campanha ganha força ao ir além do símbolo. A proposta é provocar reflexão, diálogo e mudança de comportamento no cotidiano — nas falas, nas atitudes e na forma como relações são construídas. O foco não está apenas em condenar a violência, mas em prevenir, questionando padrões culturais que ainda normalizam comportamentos agressivos ou desrespeitosos.
Para o prefeito Paulo Sérgio Micula, apoiar a “Campanha do Laço Branco” é reconhecer que o enfrentamento à violência contra a mulher exige participação coletiva. “A gente avança quando o poder público assume seu papel, mas principalmente quando a sociedade entende que esse tema diz respeito a todos. A campanha chama os homens à responsabilidade e reforça que respeito e convivência saudável precisam ser praticados todos os dias”, destacou.
A importância da campanha está justamente nesse convite à responsabilidade. A violência contra a mulher não surge de forma isolada — ela é construída em ambientes onde o silêncio, a omissão ou a banalização ainda encontram espaço. Mobilizar os homens significa interromper esse ciclo antes que ele se transforme em agressão.
Segundo a coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres de João Neiva Magna Mota, a campanha atua de forma preventiva e educativa. “O ‘Laço Branco’ trabalha a conscientização masculina como estratégia de prevenção. É uma ação que estimula o reconhecimento de comportamentos violentos, mesmo os considerados ‘inofensivos’, e promove relações baseadas no respeito, na escuta e na igualdade”, explicou.
Magna reforça que a campanha também dialoga com políticas públicas de proteção às mulheres, ao incentivar uma mudança cultural que reduz a reincidência da violência. “Quando o homem se reconhece como parte da solução, o impacto é direto na segurança das mulheres e no fortalecimento de vínculos familiares e sociais”, completou.
Mais do que um movimento simbólico, a “Campanha do Laço Branco” representa um posicionamento claro: violência não é aceitável, não é justificável e não pode ser ignorada. Ao chamar os homens para esse compromisso, a campanha amplia o debate e reforça que a construção de uma sociedade mais justa começa nas escolhas diárias.
Em João Neiva, aderir ao Laço Branco é reafirmar que respeito não é exceção, é regra — e que combater a violência contra a mulher é um dever coletivo, contínuo e indispensável.