
Na próxima sexta-feira (27), João Neiva vai transformar informação em movimento. A partir das 7h30, com saída do prédio principal da Prefeitura, acontece a caminhada “Passos de Fibra”, uma mobilização que integra a campanha "Fevereiro Roxo" e chama a atenção para os desafios da fibromialgia — uma síndrome invisível, mas profundamente impactante. O trajeto seguirá até a Pracinha do Gadioli.
A iniciativa está sendo organizada por pessoas do município que convivem com a fibromialgia, em parceria com a Prefeitura de João Neiva, através da Secretaria de Saúde (Semsa). O objetivo é simples e potente: dar visibilidade, promover acolhimento e ampliar o conhecimento sobre a condição.
Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sob o código M79.7 do CID-10, a fibromialgia é caracterizada por dor generalizada, fadiga intensa, alterações no sono e distúrbios cognitivos. No Espírito Santo, a condição é considerada deficiência conforme a Lei Federal nº 15.176/2025, Lei Estadual nº 12.086/2024 e Lei Municipal nº 3.325/2021, garantindo direitos como o uso de filas preferenciais mediante identificação.
Mas, apesar dos avanços legais, o desconhecimento ainda pesa. “A caminhada é uma forma de mostrar que a fibromialgia existe, tem impacto real na vida das pessoas e precisa ser respeitada. Informação reduz preconceito e aproxima a comunidade dessa realidade”, destaca a secretária da Semsa Amanda Carlesso.
A síndrome atinge principalmente mulheres entre 20 e 55 anos e não tem cura. O tratamento deve ser multidisciplinar, combinando abordagens farmacológicas e não farmacológicas, sempre de forma individualizada. O diagnóstico é clínico, baseado na história do paciente e na exclusão de outras condições.
Entre os sintomas mais comuns estão dor persistente pelo corpo, fadiga, rigidez matinal, distúrbios do sono, dificuldades de concentração (o chamado “fibrofog”), ansiedade, depressão, sensibilidade à luz e ao som, além de alterações gastrointestinais. Os sintomas podem variar em intensidade e costumam piorar com estresse, mudanças climáticas e esforço físico.
A saúde mental também está diretamente ligada ao quadro. Dor crônica e exaustão impactam o bem-estar emocional, e emoções negativas podem intensificar os sintomas — um ciclo que exige atenção integral ao paciente.
Amanda reforça que o envolvimento da comunidade faz diferença. “Quando a família e os amigos acreditam no relato de dor, respeitam as limitações e se mostram abertos às adaptações na rotina, o tratamento se torna mais eficaz e humano. O acolhimento é parte fundamental do cuidado.”
Na sexta-feira, cada passo — do prédio da Prefeitura até a Pracinha do Gadioli — será também um gesto de empatia. Porque falar sobre fibromialgia é tornar visível o que muitas vezes é ignorado e fortalecer quem convive diariamente com os desafios de uma síndrome que nem sempre aparece aos olhos, mas que precisa ser compreendida por todos.